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Em fevereiro de 2010 acontecerá o 26º Dia do Quadrinho Nacional, com a entrega do prêmio Angelo Agostini, organizado pela AQC-ESP (Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo) e pelo site Bigorna.

O Wellington Santos, que entrevistamos recentemente aqui no blog, concorre às categorias de melhor desenhista e melhor roteirista, e a sua última publicação, Vulto: Um Estranho na Cidade, concorre ao prêmio de melhor lançamento.

Para votar é simples. Basta preencher a cédula de votação e enviá-la aos seguintes endereços: votacao@aqc-esp.com.br e angeloagostini@bigorna.net.

Um exemplo da cédula segue abaixo:

CÉDULA 26º Prêmio Angelo Agostini 2009 AQC-ESP
MELHOR DESENHISTA DE 2009: Wellington Santos (Vulto)
MELHOR ROTEIRISTA DE 2009: Wellington Santos (Vulto)
MELHOR LANÇAMENTO DE 2009: Vulto: Um Estranho na Cidade (Júpiter 2)
MELHOR FANZINE DE 2009: A.T.U.M.
PRÊMIO JAYME CORTEZ: Coletivo Quarto Mundo
MELHOR CARTUNISTA DE 2009: Allan Sieber
MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL: Henfil, Maurício de Sousa e Angeli

Mais informações e a lista com os indicados podem ser conferidas na página da premiação.
Nos próximos dias 28 e 29 de novembro acontecerá a VII Convenção Nacional de Plastimodelismo do GPBH. Este ano o evento contará com um prêmio inédito e especial para a categoria Star Wars, e com a presença dos fã-clubes CJMG e ICMG.


Local: Hotel de Trânsito dos Oficiais do Exército
Endereço: Rua Gonçalves Dias, 3240
Quer ganhar um convite para o novo Orkut e, de quebra, para o Google Wave? Se estiver disposto a gastar um pouco de fosfato, sua chance chegou, pois estamos distribuindo convites para os 5 primeiros (ou primeiras) a solucionarem os enigmas do 1º Desafio Casal Geek!!!

Para participar é simples. Basta acessar o seguinte endereço e começar a quebrar a cabeça: http://casalgeek.com/desafio/

Quem já tiver acesso ao novo Orkut ou ao Google Wave, e quiser participar do desafio apenas para se divertir um pouco, está liberado. Só não ganhará nada, pois os prêmios serão apenas os convites.

AnimeBH 2009 (Fotos)

28 de Outubro

Tudo começou mais ou menos assim:

- Saca só esse e-mail do Igor. Ele vai pra São Paulo no sábado de manhã e volta no mesmo dia às 21h35. Ele ainda ofereceu carona para o aeroporto... Você anima de ir?
- À JediCon? Claro!

Assim, num ato de extenso planejamento, compramos imediatamente nossas passagens. Enviamos um e-mail ao Igor para ver se a proposta da carona estava de pé, e a resposta foi quase imediata: "Vocês podem ir comigo sem problemas."

11 de Novembro

Mais alguns e-mais trocados com o Sith mais prestativo da galáxia, e o horário foi combinado: por volta das 05h15, para irmos com tranquilidade.

13 de Novembro

Em mais um perfeito exemplo de planejamento, decidimos nos deitar mais cedo, para não ficarmos cansados no dia seguinte. Lá se foi então o casal de velhinhos geeks tentar dormir por volta das 20h45. Resultado: nada do sono chegar. Morfeu não deu colher de chá, e só apareceu no horário de sempre.

14 de Novembro

Toca o despertador às 04h00, mas nós já estávamos acordados. Ansiedade? Muita. Medo de perder o horário? Com certeza. Noite mal dormida? Ligue os pontos...

Chegamos ao aeroporto quando o sol mal tinha acabado de dar as caras. Fizemos o check-in tranquilamente, devido à ausência de fila naquela hora, e nos dirigimos ao salão de embarque para nos juntarmos às fileiras de zumbis mortos de sono aguardando a hora do embarque.

Já no avião, sentamo-nos próximos à asa para que eu pudesse vigiar os gremlins. O Igor, por sua vez, ficou lá no fundão, acompanhado da Ana Lucia, Mr. Eko e Libby. Segundo o comandante, as condições de voo estavam excelentes (diferente do inglês falado por ele ou seu chefe de cabine), e chegaríamos a São Paulo por volta das 08h25.


Ladies and gentlemen, the book is on the table.

Chegamos ao aeroporto de Congonhas às 08h40, aproximadamente. Nos dirigimos ao ponto de táxi e a Fernanda, como relações públicas do grupo, fez o primeiro contato com os nativos. O rapaz, tranquilo como o que se poderia esperar de um paulistano autêntico, passou as informações que necessitávamos a ela, e quase a colocou num táxi sozinha, nos deixando para trás.

Como o trânsito estava tranquilo, chegamos rapidamente à estação São Judas, de onde partiríamos para a estação Tietê. O traslado de metrô foi tão rápido quanto eu esperava, mais escuro do que eu me lembrava e bem mais calorento do que eu gostaria. Pelo menos pudemos contar com a presença ilustre de um sósia do Costinha, que era muito caladão e não animou de fazer piadinhas para entreter os passageiros.

Descemos na estação Tietê por volta das 09h00. A Fernanda - sempre ela - perguntou a um funcionário da estação como faríamos para chegar à APCD. O caminho indicado foi o mais longo, sujo e mal cheiroso. Pelo menos tivemos a chance de interagir com alguns mendigos que, por morarem na cosmopolita São Paulo, se comunicavam em idiomas que não conseguimos identificar. De qualquer forma eram mendigos simpáticos, que sorriam (com os poucos dentes que tinham) para o belo dia para o qual haviam acabado de acordar.

Chegamos, enfim, à rua Voluntários da Pátria, 547. Deparamo-nos com uma fila que se dirigia aos calabouços da APCD e, como bons brasileiros que somos, nos unimos a ela sem saber do que se tratava. O Igor, enquanto isso, saiu para verificar como havia ficado a questão dos nossos ingressos comprados antecipadamente, o que acabou se resolvendo rápido, já que ele utilizou um truque mental Sith na garota da portaria, que autorizou nossa entrada no evento.


Brasileiro gosta tanto de fila, que até criou uma raça de cachorro com esse nome.

Uma vez na barriga da fera, nos deparamos com o maior legado de Star Wars: merchandising. Eram vários estandes, com produtos para todos os gostos: figuras de ação, estátuas, miniaturas de naves, réplicas de sabre de luz, máscaras, camisetas, chaveiros, quadrinhos e o que mais possa se imaginar. Como todo nerd que se preze é um gastador em potencial, também abundavam produtos de outras franquias, como Star Trek (você não leu errado), Simpsons e outros muitos personagens dos quadrinhos.

Tiramos fotos com alguns cosplayers e ficamos trocando uma ideia com o (aparente) dono de um dos estandes, quando um maluco passou anunciando a abertura do evento. Nos dirigimos para o teatro bacanoso da APCD, e nos acomodamos nas primeiras fileiras.

Subiram ao palco um Jedi e um oficial do Império, que na guitarra e teclado, respectivamente, fizeram uma boa (mas curta) apresentação tocando um mix de canções da trilha sonora dos filmes. Finalizado o show de abertura, logo Marcelo Chewie, presidente do CJSP, estava no palco para as palavras iniciais, que foram seguidas por uma rápida confraternização com os presidentes dos Conselhos Jedi de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Brasília, se não me engano.

Terminadas as formalidades iniciais, foi a vez do host do evento, o divertido Fabrício, tomar o palco para anunciar a próxima atração: Coruscanto, um coral para o qual podem entrar "pessoas que não sabem cantar", como eles próprios fizeram questão de reforçar. Começaram a apresentação com Yesterday, uma das músicas mais chatas do Paul McCartney segundo a opinião deste humilde beatlemaníaco, e seguiram com músicas do John Williams, como era de se esperar.


Yesterday, all my troubles seemed so far away...

Passado o momento "de boas intenções o inferno está cheio", teve início uma apresentação dos fã-clubes 501st, Rebel Legion e Vode An. O objetivo deste papo era mostrar um pouco de cada fã-clube e, é claro, convidar o público presente a se juntar a eles. A esta altura a fome era muita, já que o cookie servido no avião não deu carga (e nunca daria, para uma pessoa normal). Deixamos de assistir à palestra sobre a influência nipônica na obra de George Lucas, para nos deleitarmos com os quitutes servidos no local.

Voltamos ao calabouço da APCD, e nos dirigimos à área das lanchonetes. Pedimos um cachorro-quente para cada e, na primeira mordida, o choque gastronômico: purê de batata. That's right! Mashed potato in yo' face, muthafucka! Agora, onde já se viu colocar purê de batata no cachorro-quente? Ou melhor: purê de batata dentro de um pão... Alguém me explica, por favor?

Passado o trauma do purê (mas nem tanto a fome), ficamos de bobeira, passeando com mais calma pelos estandes, buscando algo que pudéssemos trazer para incrementar a minha coleção de figuras de ação. As opções eram muitas, mas os preços não estavam tão convidativos. Para piorar, pagamento só em dinheiro, na maioria dos casos.

As camisetas, outro interesse meu, agradariam muito mais aos fãs do Iron Maiden, já que essas opões eram muitas. As de Star Wars, por sua vez, eram toscas e possuíam estampas emborrachadas desenvolvidas especialmente para matar de calor aquele que as estivesse vestindo. Aposto, inclusive, que elas fazem parte de um plano desenvolvido pelos fãs de Star Trek para eliminarem os fanboys de Star Wars.

Andávamos tranquilamente pelo mercadão nerd, quando uma agitação se formou em frente aos estandes dos fã-clubes. Nos aproximamos para ver se alguma coisa bacana estava rolando, mas era só o Lucas Silva e Silva fazendo uma matéria para o PlayTV. Passada a curiosidade, nos dirigimos à fila que se formava no local, para saber o que havia de bom ao final dela. Descobrimos que se tratava da sessão de autógrafos do Jeremy Bulloch, e que as senhas eram distribuídas na portaria do evento.


Quantas mulheres eu já peguei fantasiado de Darth Maul?
Bom... Elas ficam com medo de se sujarem de tinta, sabe?

Nos dirigimos à portaria para pegar uma senha:

- Bom dia. A senha para pegar autógrafo com o Jeremy Bulloch nós retiramos aqui?
- É. Mas agora só tem para a parte da tarde, depois das 15h30.
- Eu quero uma, por favor.
- É R$10,00.
- Tudo bem... Educada essa moça, hein?

Depois de morrer em R$10,00 para ganhar o direito de entrar numa fila, voltamos a passear pelo calabouço, o que já estava ficando meio entediante. Nos deparamos com algo que (incrivelmente) ainda não tínhamos visto no local: um R2-D2 a controle-remoto, e um Gol customizado com temática Dark Side. Como não sou muito chegado a carros (principalmente estes do tipo metrossexuais), fui conferir uns modelos bacaníssimos expostos no estande de uma escola de cinema e animação que se encontrava ali perto.

Ao lado do estande da escola encontrava-se a micro exposição Star Wars Arte, com plush toys, quadros e designer toys customizados com temática de Star Wars. É uma pena que esta exposição estava num lugar muito isolado e não teve o destaque que merecia, pois esse tipo de trabalho é muito mais interessante para os fãs do que figuras de ação da Liga da Justiça.

Já passava de meio-dia, quando a fome apertou novamente e saímos para almoçar. Tentamos o restaurante de uma pequena galeria localizada em frente à APCD (que descobrimos ser o caminho mais curto entre a estação Tietê e o local do evento), mas o cardápio estava muito variado e light: feijoada. Só isso. Nenhuma outra opção. Ou encara a feijoada e passa mal o resto do dia, ou passa fome! Partimos em busca de outro lugar para almoçar. Encontramos um restaurante simples (mas limpo) na rua em que fizemos contato com os mendigos. Estes, por sua vez, haviam ido embora para trabalhar, provavelmente. Sabe como é: São Paulo nunca para.

O restaurante não oferecia muitas opções de pratos quentes ou saladas (como se eu me preocupasse em comer planta), e muito menos de carnes grelhadas, preparadas por um churrasqueiro igual a muitos outros que se vê nesse tipo de estabelecimento: gordo, sujo, engordurado e meio tosco. Entretanto, era uma alternativa melhor do que mandar uma feijoada pesada ou encarar outro pão com purê de batata.

Voltamos à APCD e lá estava outra equipe de TV gravando uma matéria sobre o evento. Quem entrevistava os fãs, desta vez, era o Salsicha, que desistiu dessa vida de solucionar mistérios na companhia do Fred, Daphne, Velma e Scooby-Doo, e resolveu virar repórter de TV. Alguém tinha que arrumar um emprego naquela turma, né? Só não imaginava que seria justamente o Salsicha...


Scooby-Doo, meu filho, cadê você, gente boa?

Após (mais) uma rápida volta pelo lugar, nos deparamos com três garotos formando o início da fila para a segunda sessão de autógrafos do Jeremy Bulloch. Nos juntamos a eles, para não termos que encarar uma fila gigantesca. Mofaríamos da mesma maneira, mas não faltava tanto tempo para a volta do ator, segundo divulgado. Enquanto o Igor saiu para um voo solo, descobrimos que haveria um atraso na segunda sessão de autógrafos, já que o Jeremy Bulloch saíra para almoçar há pouco. Organização: fail. Pontualidade britânica: fail+.

Nossa sorte foi que a mãe de um dos garotos, uma pessoa ultra simpática e prestativa (cujo nome infelizmente não lembramos), se prontificou a guardar o nosso lugar na fila, para que pudéssemos conferir as apresentações que rolavam. Subimos ao auditório, a ponto de conferir o bate papo com Felipe Massafera, o ilustrador responsável pela arte fantástica da camiseta do evento, Adriana Melo e a dupla responsável pela animação Gui & Estopa.

Terminado o curto bate-papo entre os artistas, foi a vez de subirem ao palco um grupo de mandalorianos, anunciando a chegada da grande atração do dia: Jeremy Bulloch. O ator, bastante simpático e bem-humorado, respondeu a perguntas dos organizadores e do público. O problema de abrir espaço ao público é a chance de haver (e sempre há) um mané que acha que o ator deve responder como o personagem. Foi justamente o caso de um fanboy virgem e sem noção, que perguntou sobre assuntos relacionados ao personagem mostrados no universo expandido de Star Wars. Desnecessário dizer que esta pergunta ficou sem resposta, o que agradou bastante, pelo visto, aos demais fãs sádicos presentes na platéia.


E agora, Han Solo?

O papo com Jeremy Bulloch foi bacana. O ator contou um pouco sobre sua carreira, a participação em filmes do James Bond e sobre como foi escolhido para o papel do carismático mercenário no Episódio V de Star Wars. Ele falou também sobre sua paixão pelo futebol, contou casos divertidos, como o de ter errado a única fala que tinha no filme enquanto Boba Fett, entre outros.

Finalizada a conversa com o ator, descemos novamente ao calabouço da APCD para tomarmos nosso lugar na fila para a segunda sessão de autógrafos, enquanto a programação continuava no palco. Em poucos minutos Jeremy Bulloch e sua esposa voltavam à mesa onde ele recebia os fãs, e a fila começava a andar. Como eu estava logo no início, rapidamente tive minha figura de ação do Boba Fett autografada, e voltei com a Fernanda ao auditório, a tempo de curtir o final da apresentação do Blades, um grupo que realiza coreografias com sabres de luz no estilo das lutas mostradas nos filmes.

Depois desta apresentação, foram premiados os fã-filmes participantes do festival que aconteceu durante o evento, e uma nova apresentação coreografada teve início no palco: Darth Vader vs. Darth Maul. A luta foi rápida, e logo iniciava-se o concurso de cosplay.

A primeira categoria do concurso de cosplay foi a infantil, cujo destaque foi uma divertida garotinha vestida de Yoda, que imitava o andar do personagem quando subiu ao palco. Para não deixar ninguém chateado, todos foram considerados vencedores, o que foi uma atitude muito bacana dos organizadores.

Seguiu-se o concurso com os participantes da categoria Light Side, cujo vencedor foi o cosplayer fantasiado de Almirante Akbar. Em segundo lugar ficou a candidata vestida de Rainha Amidala, seguida pelo cosplayer de Ki-Adi-Mundi. O destaque, entretanto, foi Menino Leia, o mito. Com forte apoio do público (com destaque para a Fernanda, os fundadores do CJMG, Marcelo Avelar e Humberto Lemos, e Henrique Granado, do CJRJ), este participante chegou às semifinais, para desespero dos outros concorrentes.


Menino Leeeiaaaaa!!!

O concurso de cosplay finalizou com a categoria Dark Side, da qual participou até um motoboy, para você ver como os caras são cruéis em São Paulo. Em primeiro lugar ficou o Darth Maul bombado, seguido do Jabba the Hutt e Juno Eclipse.

Finalizado o concurso de cosplay, subiram novamente ao palco Marcelo Chewie e o host Fabrício para o encerramento do evento. Como já estava quase na hora de voltarmos ao aeroporto, descemos ao calabouço à caça de promoções. Infelizmente a maioria dos estandes já estava desfeita e, para piorar, nada de promoções nos que ainda estavam ativos.

Considerando encerrada nossa participação na JediCon SP 2009, partimos para a estação Tietê, de onde iniciamos nossa viagem de volta para casa, para um bom e merecido descanso daquela que foi a nossa primeira missão interestadual cobrindo um evento nerd.
Há algum tempo atrás eu e o Gu resolvemos contar uma história juntos. Nossas regras para a brincadeira eram simples: cada um escreveria uma parte alternadamente, e esta parte (uma frase ou até mesmo um parágrafo) deveria ter um mínimo de relação com a história até o momento.

Nossa história, que começou com um cãozinho tímido, é atualmente uma história de aventura e suspense, com piratas, zumbis, navios misteriosos e tesouros perdidos, recheada de muitos clichês. É também uma história da batalha entre dois narradores, na qual um tenta deturpar o que o outro escreveu pelo simples prazer de mudar os rumos dos acontecimentos, o que torna a brincadeira mais divertida e o final cada vez mais distante e imprevisível.

A primeira parte desse conto maluco segue abaixo. Esperamos que vocês se divirtam tanto com essa história quanto nós estamos nos divertindo escrevendo-a:

Capítulo 1 - Uma Polka Inesperada

Era uma vez um cachorrinho que tinha vergonha de fazer xixi em público. Catito fora treinado pela dona, Dona Margarida, viúva, 72 anos, para fazer xixi apenas em seu minúsculo quarto. Era um quarto tão pequeno, que o cocô de Catito, um mini pinscher preto, ocupava quase 30% do espaço.

Catito vivia infestado de pulgas e erupções cutâneas, devido à sujeira do ambiente em que vivia. Era tanta bicheira, que o Sr. Johnson, um velho pirata aposentado, o apelidou de Bereba.

Sr. Johnson gostava de passar a maior parte do tempo isolado no sótão de sua casa. Lá ninguém entrava, nem mesmo para limpar, e a porta era trancada com um pesado cadeado. Diziam os vizinhos que o Sr. Johnson, também conhecido como Barriga de Verme durante o seu tempo de pirata, guardava em seu sótão o mapa da há muito esquecida Ilha da Aranha, onde dizem ter enterrado seu tesouro.

A localização exata da ilha era desconhecida, mas dizia-se que ela ficava entre a Montanha Envenenada e a Montanha da Perdição. Quem um dia chegou lá, nunca conseguiu voltar para contar a história, com exceção do Sr. Johnson.

Num dia em que havia bebido muito, Sr. Johnson chegou a dizer que a única maneira de avistar a ilha era deitando-se entre as duas montanhas, no último dia do mês de Novubro, mas todos diziam que ele estava ficando louco.

O mês de Novubro era o preferido dos piratas, porque nele qualquer maldição lançada sobre eles deixava de existir. A única “pessoa” que via Sr. Johson neste período era um dos antigos tripulantes do seu navio, o macaco treinado Eek, que no mês de Novubro levava comida ao seu antigo capitão.

O mês de Novubro era muito aguardado porque só acontecia a cada três anos e meio, o que iria ocorrer agora. E foi assim, que no início desse mês, numa tarde muito, muito fria, que Dona Margarida viu saindo do sótão Catito, sem uma das patas, Sr. Johnson e um homem que ele apresentou a ela como sendo Barba Branca.

Dona Margarida evitou o pânico de ver seu cachorro amputado, porque o tal Barba Branca a assustou ainda mais ao olhar para ela, que percebeu que, no lugar dos olhos, o pirata não tinha nada além de dois buracos profundos e escuros, como o céu de uma noite sem estrelas.

Logo após o susto, Dona Margarida lembrou-se de que era mais ou menos educada, e ofereceu um chá aos homens, já que Catito e Eek só tomavam água da pia. Após servido o chá, Sr. Johnson chamou todos para dançar uma polka ao redor da mesa, enquanto Barba Branca tocava seu acordeon em um canto da sala.

Eek dançava freneticamente, Catito olhava com desdém, mas era Dona Margarida quem chamava mais atenção, pois ela se interessara pelo objeto grande e negro que se encontrava sobre a mesa ao lado da capa de Barba Negra.

Barba Negra havia chegado há pouco, e logo juntou-se à polka, que Barba Branca tocava cada vez mais rápido no seu acordeon decorado com pequenos crânios de rato. Enquanto dançava, Barba Negra prestava atenção no objeto que Dona Margarida estava prestes a abrir, aproveitando-se da desatenção de todos, com exceção dele.

O grande objeto negro sobre a mesa tinha a forma de um crânio humano cravejado com dois grandes rubis em suas órbitas oculares, e sua parte superior destacava-se como uma tampa, que Dona Margarida já havia praticamente retirado, quando Barba Branca gritou:

Pelas barbas do meu tataravô Língua de Cobra, escondam-se todos!